Quais foram as maiores competições que você já participou?
Todas foram importantes, mas a que mais marcaou foi o Pan Americano juvenil, que eu fui terceira colocada vindo de uma lesão no joelho e foi um das maiores conquistas pra mim, não só meus amigos, meu treinador e meu fisioterapeuta me deram incentivo, e através disso eu fui tendo mais força de vontade e dedicação para fazer o que eu faço, mas não só o Pan Americano juvenil, mas também o quarto lugar no Mundial de Menores.
Qual foi a sua maior vitória?
Foi o troféu Brasil no ano de 2006, eu me machuquei em 2003, passei um tempo parada em 2005.
Eu estava voltando e ter sido campeã do troféu Brasil foi uma grande vitória pra mim.
Você tem alguma frustração no esporte?
Frustação acho que não tenho, no começo sim, você passa por dificuldades, mas nada assim que eu possa dizer que foi uma frustração.
Quais seus esforços diários para se manter no esporte?
Treino e dedicação, tem que se ter muita dedicação para desempenhar bem o que você faz, ter a força de vontade, garra para superar todos os desafios, não só no atletismo mas na sua vida pessoal.
Como você vê a falta de reconhecimento no esporte? Exceto o futebol no Brasil?
Eu acredito que tem que divulgar mais o esporte, como você mesmo disse o futebol é bem divulgado, o atletismo já não é tão divulgado quanto, só é mais divulgado quando você ganha uma medalha, aí pronto vai a reportagem filma você, mas só naquela hora, rapidamente esquecem que você ganhou e que você brilhou mais ou menos uma hora, eles não se desempenham em mostrar o atletismo como é feito o treinamento, não só atletismo, mas também, outros esportes que não são reconhecidos.
Você foi apadrinhada por algum atleta?
Não, por nenhum atleta.
Como é o processo de seleção para se obter bolsa de estudos? Na UniSant’Anna por exemplo?
Pelo que eu sei é por questão de rank, eles fazem a avaliação depende da sua colocação no rank. Se você está no topo eles te dão uma bolsa de estudo, se você está entre os três primeiros do Brasil, já é outro tipo. Tudo depende da sua posição.
Para cada colocação os valores são diferentes, podendo chegar até 100%, eu por exemplo, sou uma aluna que tenho bolsa parcial.
Você já recebeu propóstas de outras universidades?
No início quando eu comecei a viajar que veio o campeonato mundial, eu tive uma proposta de bolsa de estudos pra fora do país, no Canadá, mas eu não me interessei, eu ainda não tinha muito conhecimento lá fora e surgiu do nada eu venho de uma cidade pequena, humilde, já foi pra mim uma grande vitória sair de lá pra vim pra cá estudar em São Paulo.
Eu acredito que teria que me detacar mais aqui para depois pensar em ir pra fora do país, se depois que eu me destacar mais aqui no Brasil e aparecer mais pra frente uma nova proposta de ir pra fora, eu pensarei sobre.
Grande parte dos atletas na infância encontram dificuldades financeiras para subsidiar os treinamentos. Você passou por tal dificuldades?
Acredito que todo mundo passa por algum momento de dificuldade, chega o dia da competição e você não tem o dinheiro pra viajar, meus pais e minha irmã que me ajudavam com dinheiro. Não era tanto assim, mas quando se tem muita vontade de mostrar o que você sabe fazer e competir.
Alimentação, o clube arcava com o custo era um dinheiro mais se quisesse comprar alguma coisa, às vezes eu chorava por não ter dinheiro, mas a conquista maior era chegar em casa e dizer: ‘oh minha mãe, ganhei uma medalha’, não importava o dinheiro naquela hora e sim a medalha que eu trazia.
Qual o seu ídolo no esporte?
No momento não tenho ninguém em quem eu foque ou queira ser igual.
Por que você escolheu o atletismo?
Foi mais um incentivo de uma professora no colégio, na Paraíba, professora Célia, de Educação Física, através das aulas práticas lá, eu passei por uma competição de corrida, primeiro meninas contra meninas, eu ganhei, e meninos contra meninos e após isso, fui competir contra o ganhador dos meninos e eu acabei ganhando dele, e aá ela me indicou para uma escola.
Eu tinha medo por ser do interior, por não saber o que era, mas ela insistiu tanto que através da insistência eu acabei entrando na escola, me destaquei.
Você sentiu vontade eu senti ainda de seguir outro esporte?
Não me vejo em outro esporte sem ser o atletismo.
Você tem um sonho?
De ir as Olimpíadas, este é o meu foco.
Qual foi a reação da sua família ao saber do caminho que você optou?
No começo maus pais não me incentivaram muito por não terem conhecimento, mas no decorrer das competições que eu participava, meu pai dizia que isso não iria dar certo porque isso não tinha futuro, mas com o passar do tempo e as medalhas que eu fui arrecadando eles se conscientizaram que era isso mesmo que queria e ficou tudo bem, e hoje me apoiam, a minha adaptação em São Paulo foi muito difícil, eu chorava quase todos os dias, mas hoje já não penso mais em voltar para Paraíba.
O fato de destinar grande parte do seu tempo a concentração, sobra tempo para o lazer?
Só nos fins de semana e isso é somente no domingo, pois até no sábado você treina, do treino você vai pra casa, se acontece de sair, não pode ficar até tarde, pois no outro dia tem treino cedo, tem que saber dividir as coisas, não sou de sair para baladas, passar noites fora de casa. Costumo ficar mais em casa com a minha família.
Por quem você é patrocinada? E como você conseguiu?
Pela BM&F, São Caetano e a Caixa.
Antes de vir pra São Paulo, já estava certo ser patrocinada pela BM&F e São Caetano.
Qual a relação entre o atleta e o patrocinio? É difícil conseguir um patrocínio?
Você tem que manter os resultados, o padrão que eles colocam pra você e ter uma boa colocação no rank. Eles vão te avaliando se você têm condições de se manter na equipe, caso você não conquiste resultados eles te tiram da equipe e você é mandado embora.
Sim, é dificil, mas dependendo do seu desempenho, as empresas podem te chamar pra participar das seletivas.
Atualmente a BM&F é uma das equipes mais fortes existentes no Brasil.
Sem patrocínio, um atleta pode ter boas colocações?
Sem patrocínio acho que é muito difícil, não se chega a lugar nenhum. Acho que mesmo com uma condição boa não consegue, tinha que rever muitas coisas, por exemplo, no futebol, os jogadores ganham muito dinheiro, já em outros esportes não se chega nem na metade disso, acho que teria que ter mais reconhecimento e ter um salário base.